terça-feira, 8 de julho de 2014

A LOISLEINE DA RUA XV

por Edson Negromonte


Como não concordar com os caras da turma? Nunca houve Lois Lane mais bonita que a Loisleine da Rua XV. Não dava bola para a gente, sabia que, um dia, seria repórter de A Gazeta do Povo, onde encontraria o Super-homem, disfarçado de Carlos Quente, por trás dos óculos de aro de tartaruga. Com ele, viveria as mais românticas aventuras, dignas dos quadrinhos que lia, sentada na poltrona em frente à TV, os pezinhos delicados, de gueixa, para cima. A Loisleine da Rua XV não fazia nem de longe o tipo submisso, apesar de frequentemente se envolver com os piores vilões do espaço sideral, os quais, a gente sabe, não admitem mulheres de pensamento independente, que sabem manejar com destreza o sabre das ideias. Descendente de imigrantes poloneses, Loisleine era a queridinha do papai Rajmund, mas quem não tirava os olhos de cima da menina era o tio Roman, um mestre do nanquim, que a desenhou nas mais diversas poses, fazendo carinhas e boquinhas. Às vezes, tio Roman aumentava um pouco os atributos físicos da sobrinha, o que não lhe ficava mal. Papai Rajmund escrevia poesia de ficção científica, sob o título genérico de “Metrópolis: “Metrópolis 1”, “Metrópolis 2”, “Metrópolis 18”... uma saga criptoniana, que atingiu o número atômico 36 multiplicado por 10. Quando chegou ao número fluorescente, ele deu início à série “Liebling”, a qual não completou. Nunca foram publicadas, sequer no pasquim local, mas isso não o impedia de continuar a escrevê-las, aos montes, aos magotes. Rajmund e Roman viviam às turras. Somente num ponto os dois estavam de acordo: a beleza inquestionável de Rosalind Russell, uma antiga atriz do cinema americano, que morreu em 28 de novembro de 1976, em Beverly Hills, de um câncer no seio, e nunca soube da existência de papai Rajmund e do tio Roman. “Chamam a isto amor”.

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